sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre Pseudônimos

Hoje, dia 7 de novembro de 2009, eu abandono ao vento meu pseudônimo Kuromi Markgraf. E todos os textos assinados por este serão transferidos para o meu próprio ou para um outro pseudônimo - que eu espero que seja, dessa vez, genuíno.
Aos amigos e conhecidos que me chamam e me conhecem por Kuromi ou Mimi, digo que isso nada altera.

Enquanto eu não me decido, Omicronico está temporariamente Fora do Ar.


Atenciosamente.

O Autor

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Apenas Esta Noite.

Esta noite eu não vou falar de minhas lágrimas, nem sobre o sutil canto dos lobos. Esta noite eu me esquecerei de mim e tentarei não chorar. Esta noite eu não vou sorrir - não vou porque não consigo - eu vou apenas deleitar-me na inércia. Esta noite eu vou olhar as estrelas e vou me distrair como o doce fulgor dos vagalumes, e não para me esquecer das coisas que eu prefiro não lembrar, mas para não me lembrar das coisas que não quero esquecer.

Só por esta noite eu não vou me perguntar o que devo fazer e nem vou procurar uma saída. E só desta vez eu não vou achar injustos os caminhos pelos quais meus pés andaram errantemente. Não vou me entristecer pelo repentino abandono de minha inspiração, não esta noite. Esta noite eu não vou falar para mim mesma todas as coisas que deveria dizer a todos, e não vou engraçar-me nos encantos da insônia quando as luzes se apagarem. Esta noite não vou dizer que foi tempo perdido e nem vou sonhar com um futuro feliz. Só por esta noite eu não vou ansiar por presença, abandonar-me-ei na solidão acre do vazio.

Esta noite nada farei, nada serei.

Esta noite será apenas o que tem sido todos os meus dias: Nada!



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Annexu

Meu querido,

Ouça. O Vento bate à sua porta implorando clemência. Cada um de seus uivos soprados pelas frestas das janelas são súplicas... são gemidos de dor.

Veja. As Estrelas lá fora brilham como nunca ousaram antes, esperançosas de refletir em seus olhos opacos algo que lembre aquele velho e profundo brilho que eles costumavam ter.

Sinta. Eu sou a Brisa gelada que toca o seu rosto, eu perco os meus lábios nos seus e lhe chamo rumo a um mundo distante e misterioso, além das ruas escuras nas quais tem desperdiçado a sola dos sapatos.

Jamais derrame uma lágrima sequer sem antes se lembrar do quanto eu o amo, depois que o fizer, chore até que suas lágrimas lhe embalem o sono. E então, sonhe. Sonhe com o brilho da Lua derramado por sobre o meu corpo, com o toque gélido de minhas mãos em seu rosto e meus lábios rubros em seu pescoço. Durma como se recostasse a cabeça em meus seios e perdesse seu corpo em meus braços, inebriado pelo meu cheiro e embriagado pelo meu carinho.

E não importa o que aconteça, eu estarei ao seu lado. Foi-se o tempo em que carregava suas dores sozinho, pois agora eu estou aqui. Sei que não pode me ver, nem mesmo me tocar, mas como um anjo eu estarei ao seu lado aliviando o peso em suas costas e curando as suas feridas. Eu chorarei as suas lágrimas e tomarei para mim as suas dores, para isto fui designada. E eu cumprirei fielmente a minha saga, pois esta é a minha natureza.

Sinto muito, meu amado, por não estar sob o seu toque. Espero que possa me sentir em cada uma de minhas palavras, e que me encontre nas entrelinhas. O Tempo se esvai junto ao vento, os segundos morrem um após o outro, e em breve, o Vento lhe trará todas as coisas que tomou de suas mãos. O Vento me trará de volta.

Com amor...

M. R.”