terça-feira, 31 de julho de 2012
Sobre inspiração e grandes coisas.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Um dia desses...
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Desespero
As coisas não iam bem, mas ela achava quase injusto assumir isto. Ela partilhava de sentimentos que ela mal podia definir, seus membros doíam e ela não havia movido um músculo sequer. O travesseiro engolindo as suas mágoas, as cobertas abafando sua dor. Gritos ensaiados, quase uivos, escorriam dos cantos de seus lábios, mudos. A tristeza latejava em suas têmporas, e o delírio espreitava sua solidão. Afogou-se em seus soluços, despiu-se em suas lágrimas, caído o corpo sobre seus medos... fechou sonolenta as suas pálpebras.
Conheceu, gelou, enrijeceu, chorou, doeu, lastimou, silenciou, adormeceu...
“Descansa, minha pequena, nos braços de Morpheus... enquanto ainda durar a sua areia.”
R.N.H.
sábado, 12 de março de 2011
O Príncipe Sapo
Se procuras teu príncipe encantado
Que em uma maldição se perdeu
De homem a sapo fora transformado
E este sapo não sou eu
De encantado nada tenho - Sei bem
Que dizem-me asqueroso e patético
Diferente de teu príncipe que tem
Olhos azuis e corpo atlético
Eu não percorro a galopes buscando
O encontro corajoso com meu amor proibido
Eu amo em segredo a Lua, olhando
Seu brilho no triste lago refletido
Quisera eu ser teu sapo - E outrora
Teu nobre príncipe encantado - E então iria
Fazer-te feliz para sempre embora
Sabendo que jamais me amarias
Posso ser um sapo de um triste lago
Posso não ser encantado, nem príncipe então
Sinto muito, linda donzela, não sou teu amado
Sou o Príncipe dos Sapos, o de nobre coração
Este poema foi escrito em algum dia perdido de 2008 durante uma aula chata de quimica.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Narcisos
A única janela que se dispunha no ambiente estava coberta com tabuas mal pregadas e corroídas por cupins, uma delas dependia sobre as outras a ponto de cair, os vidros estavam quebrados ou então nem existiam mais, talvez apenas uns resquícios de sua existência num passado aparentemente distante. O vento uivava entre as frestas das madeiras, manso, frio e solene.
Por fim, avistou ao seu lado uma moça, que deveria ter notado há tempos. Ela estava de joelhos sobre o assoalho de madeira úmida e podre, descansava as mãos sobre o peito segurando um punhal prateado, cabisbaixa com os cabelos lisos dançando ao embalo do vento que de quando em quando vinha meter-se em suas madeixas negras. Olhos fechados, pele pálida, boca enrubescida.
A moça levantou-se, desabotoou a sobreveste deixando-a deslizar sobre o seu corpo até cair aos seus pés. Os cabelos caiam sobre os ombros nus, o torso cingido por um espartilho negro, a virilha ornada por um delicado lingerie de renda, nas mãos... o punhal. Aproximou-se com astúcia, sentando-se sobre as coxas do rapaz, que por sua vez estremeceu. Com auxilio do punhal, a moça foi arrancando cada um dos botões de sua camisa, revelando o peito nu, robusto e bastante atraente.
Ela afastou a camisa e levou seus lábios ao peito do rapaz, beijando-o desde ali até o fecho de suas calças. Ele enrijeceu-se, mas não se moveu – estava ainda fora de si. Pôs o punhal entre os dentes e com as mãos retirou vagarosamente as calças dele, olhando com curiosidade e interesse cada centímetro que se revelava até que visse apenas um par de pernas absolutamente nuas. E assim foi. A moça subiu as mãos escorregando-as pelas pernas do rapaz, beijou-lhe desde as coxas até o peito, e sentou-se desta vez sobre sua virilha. Aproximou seus lábios dos do rapaz, arrancando-lhe ânsias de um beijo, mas não cedeu. Segurou o seu rosto, virou-o, e abaixou-se sobre seu pescoço beijando o lóbulo de sua orelha. O rapaz suspirou, estremeceu, rendeu-se.
Súbito, a moça cravou seus dentes no pescoço ali disposto, sem rasgar-lhe a carne, apenas o bastante para fazê-lo se contorcer e abraçá-la forte, como se a quisesse consumir. Ora a apertava contra seu corpo, ora tentava a empurrar para longe de si, ainda estava fraco, e estava cada vez mais fraco, porém, desejava-a cada vez mais. A moça entrelaçou seus dedos pelo meio dos cabelos do rapaz, segurando-os com força, e a outra mão cravando as unhas em suas costas.
Quando finalmente soltou o rapaz, este caiu sobre a cama, sem forças. A moça, por sua vez, respirou fundo e levantou a cabeça, jogando os cabelos para trás. Tomou o punhal em suas mãos, colocou-o sobre o lado esquerdo do peito do rapaz e foi o perfurando lentamente, até a guarda. Com um ar solene vislumbrou o rapaz agonizando seus últimos suspiros até morrer. Retirou dele o punhal, com o mesmo desejo de quando o colocou, deixando o sangue escorrer, manchando a camisa e os lençóis mau-cheirosos.
O vento ainda uivava pelas frestas da janela, agora mais forte e congelante. A moça limpou seu punhal, sentada na beira da cama velha com os olhos saciados e a boca ainda mais vermelha. E ali ficou por um bom tempo, envolta por uma atmosfera que cheirava a mofo, bolor, ácaro, jornal molhado, madeira podre, narcisos amarelos e sangue... frescos.

